Enel é impedida de cobrar multa e suspender energia de supermercado

 

Publicado originalmente

Por Fernando Martines



A Enel foi impedida pela Justiça de cobrar multa de R$ 106.971,18 de um supermercado em Piracanjuba, após uma inspeção feita no medidor. Além disso, a juíza Heloisa Silva Mattos, da Vara Judicial da Comarca de Piracanjuba, suspendeu a interrupção do fornecimento de energia elétrica ao estabelecimento comercial, garantindo, assim, o funcionamento da empresa.

Na ação, o advogado que representou o supermercado, alegou que o relógio medidor foi retirado em janeiro deste ano, sem que houvesse a solicitação ou autorização de seu cliente, que não teve a chance de fazer perícia técnica por outro profissional que não pertencesse à Enel.

Após a perícia, o proprietário do supermercado recebeu uma carta informando uma cobrança de 1.077 dias de irregularidade, que teria começado em janeiro de 2015. A multa cobrada pela Enel era, inicialmente, estimada em R$ 152.858,61; no entanto, o boleto entregue ao empresário foi de R$ 106.971,18, o que reforçou as dúvidas acerca da lisura da cobrança e da maneira como fora calculada. A Enel exigia que a conta fosse quitada, sob pena de suspensão da energia elétrica do supermercado.

Cobrança abusiva

Segundo o advogado da parte autora, o corte da energia inviabilizaria a atividade comercial de seu cliente, além de causar a negativação de seu nome por uma cobrança indevida. “Além disso, caso o supermercado deixasse de funcionar, dezenas de pessoas ficariam desempregadas”, ressalta.

Para a defesa, a imputação é abusiva, primeiramente, pelo fato de a manutenção do equipamento de medição do consumo de energia ser de responsabilidade da concessionária (neste caso, a Enel). Em segundo lugar, porque não há prova concreta de fraude por parte do consumidor, o que torna o débito cobrado ilegítimo.

Decisão

Em sua decisão, a juíza Heloisa Silva Mattos determinou que o nome do cliente não seja incluído nos órgãos de proteção de crédito, que a cobrança feita pela Enel seja suspensa e que a energia elétrica no estabelecimento não seja suspensa, sob pena de multa diária de R$ 500 ao dia, até o limite de 30 dias. Foi, ainda, agendada uma audiência de conciliação para o dia 7 de outubro.

Clique aqui para ler a decisão.

Fonte: Conjur

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