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por

VICTÓRIA GEARINI 

 

 

Em abril do ano passado, uma reconstituição facial feita por fotografia computorizada 3D revelou os traços mais realísticos de Dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil. Tal fato foi importante para a quebra da noção popular sobre a aparência da nobreza e para compreender características que se aproximam popularmente.

Pintura oficial do imperador

 

Em 2012, a Casa Imperial – administrada pelos herdeiros da família real – autorizou a exumação do corpo do primeiro imperador para um estudo científico realizado pela Universidade de São Paulo (USP). Uma fotografia computorizada foi realizada sob os cuidados do designer Cícero Moraes.

Reconstituição facial de Dom Pedro I / Crédito: Cícero Moraes

 

O advogado José Luís Lira, professor da Universidade Estadual Vale do Aracaú, do Ceará, adquiriu direitos sobre estas imagens para aprofundar sua pesquisa. O perito legista Marcos Paulo Salles Machado, chefe do Serviço de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, foi o responsável por avaliar os dados. Sem saber que se tratava do crânio de Dom Pedro I, o perito encontrou uma suposta fratura no nariz do imperador, que nunca teria sido tratada.

“O crânio dele tem uma deformação nos ossos nasais que sugere uma lesão, fruto de ação contundente da esquerda para a direita. Ele pode ter batido com o nariz e sofrido uma pequena fratura nessa região”, disse o especialista, à BBC Brasil no ano passado.

Reconstrução 3D do crânio de Dom Pedro I / Crédito: Mauricio de Paiva, National Geographic Brasil, cedida por José Luís Lira

 

Segundo o autor da biografia Pedro: a História Não Contada – o Homem Revelado por Cartas e Documentos Inédito, Paulo Rezzutti, não há registros na história que relatem que o imperador tenha sofrido algum acidente capaz de quebrar seu nariz. No entanto, o escritor explica que quedas de cavalos eram comuns. “Ele teve uma queda feia em 1824. E, alguns anos depois, teve um acidente ainda mais grave de carruagem na Rua do Lavradio, no Rio de Janeiro”, explicou.

Os responsáveis pela pesquisa disseram ainda que para reconstruir o rosto de Dom Pedro I, de forma que ficasse o mais realista possível, eles utilizaram um crânio de outra pessoa e adaptaram a estrutura para ao do monarca. “Essa assimetria é bastante atenuada quando a captura da face é feita levemente pela lateral”, explica o designer se referindo ao nariz do imperador.

Para Paulo Rezzutti a descoberta foi importante para aproximar o monarca de características populares. “É uma alegria poder fazer com que todos os brasileiros conheçam a verdadeira face do homem que proclamou a Independência do Brasil e foi nosso primeiro imperador”, completa o autor da pesquisa, José Luís Lira.

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